
‘Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim. Há o mundo continuando a fazer o que faz. E eu não estou lá. Muito estranho. Penso no caminhão do lixo passando e levando o lixo e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível. E pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser verdadeiramente descoberto. E todos aqueles que tinham medo de mim ou me odiavam vão subitamente me aceitar. Minhas palavras vão estar em todos os lugares. Vão se formar clubes e sociedades. Será nojento. Será feito um filme sobre a minha vida. Me farão muito mais corajoso e talentoso do que sou. Muito mais. Será suficiente para fazer os deuses vomitarem. A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.’
[Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) foi um escritor francês cuja obra mais conhecida é Voyage au bout de la nuit (Viagem ao fim da noite)]
‘Na primeira que eu li Celine, eu fui pra cama com uma grande caixa de Ritz crackers. Eu comecei a ler e comendo Ritz crackers, e rindo, e comendo Ritz crackers. Eu li um romance inteiro de uma vez. E a caixa de Ritz estava vazia, cara. E eu levantei e bebi água. Você devia ter me visto, eu não podia me mover. Isso é o que um bom escritor vai fazer com você. Ele vai chegar bem perto de te matar… um escritor ruim também.’

‘Isso é muito importante – tirar um tempo para lazer. O ritmo é a essência. Sem parar completamente e ficar sem fazer nada por longos períodos, você perderá tudo. Seja você um ator, qualquer coisa, uma dona de casa… tem que existir grandes pausas onde você fique sem fazer nada. Você simplesmente deita numa cama e olha para o teto. Isso é muito importante, muito importante… só não fazer nada, muito, muito importante. E quantas pessoas fazem isso na sociedade moderna? Muito poucas. Aí está por que elas estão totalmente loucas, frustradas, com raiva e ódio. Em tempos antigos, antes de eu me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu simplesmente fecharia todas as cortinas e iria para a cama por uns 3 ou 4 dias. Levantaria para cagar. Comeria uma lata de feijões, voltaria para a cama e ficaria lá por 3 ou 4 dias. Aí eu vestiria minhas roupas, sairia para andar lá fora, e a luz do sol era brilhante, os sons eram ótimos. Me sentiria poderoso, como uma bateria recarregada. Mas você sabe qual a primeira queda de energia? A primeira face humana que vi na calçada, perco metade da minha energia bem nesse momento. Essa monstruosa, vazia, idiota, insensível face, cheia de capitalismo – o “pulverizador”. E você pensa “Nossa! Isso o tirou metade da energia”. Mas ainda assim valeu a pena, eu tenho ainda mais metade. Pois então, sim, lazer. E eu não quero dizer ter pensamentos profundos. Quero dizer não ter pensamento nenhum, nada. Sem pensamentos de progresso, sem pensar sobre você mesmo ou sobre tentar ir mais longe. Só, como uma briga. É lindo.’




![[Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) foi um escritor francês cuja obra mais conhecida é Voyage au bout de la nuit (Viagem ao fim da noite)]
‘Na primeira que eu li Celine, eu fui pra cama com uma grande caixa de Ritz crackers. Eu comecei a ler e comendo Ritz crackers, e rindo, e comendo Ritz crackers. Eu li um romance inteiro de uma vez. E a caixa de Ritz estava vazia, cara. E eu levantei e bebi água. Você devia ter me visto, eu não podia me mover. Isso é o que um bom escritor vai fazer com você. Ele vai chegar bem perto de te matar… um escritor ruim também.’](http://25.media.tumblr.com/tumblr_lv0lkmdTdL1qmi9xao1_500.jpg)
